domingo, 2 de novembro de 2008

Ma préférence*



Vem sentar-te ao pé de mim, deixa-me contar-te…

Quem me conhece bem, sabe que há dois assuntos que eu, por mais que tente, não consigo deixar de falar. Um é o Glorioso (surpresa!), o outro é a minha mãe.

A minha mãe é a minha Rainha, o meu nº 10 e, ao mesmo tempo, o meu tendão de Aquiles. Nasceu numa terra de vacas castanhas, e depressa se mudou com os meus avós para uma terra de vacas loiras. Voltou das Franças no início da adolescência, e trouxe com ela uma mão cheia de irmãos, quase todos com um sotaque que é uma mistura de português, ‘brasileiro’, francês e romeno, por aí...

(Vídeo apenas para ser visto em caso de emergência. Não indicado a pessoas sensíveis e com bom gosto apurado...)

Desde sempre foi muito senhora do seu nariz, e desde sempre praticou aquilo que as pessoas chamam de ‘exploração infantil’, com os irmãos mais novos, e que os viria a marcar para o resto da vida adulta. Bordava paninhos para vender e modificava as próprias roupas. Gostava sempre de marcar a diferença (ainda hoje é assim) e não se importa de sair do rebanho se vê que aquele não é o caminho que quer seguir. Tem cabecinha e espírito crítico! Boa, Mãe!

Tirou um curso enfadonho de Línguas, na Invicta, e passou muitas tardes a procurar o moçoilo que ia 'estudar' para o Avis. Tornou-se professora, e não lhe mexam nos ‘seus meninos’, senão ela vira Scolari!

De tanta vez que foi ver o Forjães (ou seria o Fragoso?), acabou por assinar contrato com o Verdadeiro Artista, que me viria a encaracolar o cabelo e que me tornou num dálmata de duas patas e sangue azul. Eu disse azul? Mas antes, ainda deram à luz ‘o repolhinho’, o nome mais especial de se dar a um filho…

Mas voltando à D. Maria, ela é a antítese da mãe-galinha. Não quer comer? Não come! Molhou? Deixa estar que isso seca! Caiu? Partiu? Então levanta-te, não sejas maricas! Não telefonou? Descansa, ela está bem! Que tens? Anda lá, anda para o colinho, miminho, miminho, miminho… Não se lembra de quando eu comecei a andar, não faz ideia de quais foram as minhas primeiras palavras, não se lembra do dia do meu baptizado… não sabe a que horas eu nasci, só sabe que comeu Bolo-Rei. Já é alguma coisa. Não fosse eu a cara do meu pai, e diria que era adoptada.


A minha mãe tem uma fome de conhecimento invulgar, e vê a internet como a sua melhor aliada. Acho que a minha mãe se pudesse era nómada, sozinha, e eu era nómada, atrás dela. Não liga a bens materiais, mas tem o grande vício e o grande luxo de viajar. Foi esse bichinho mau que já me contaminou e nos levou para as montanhas do Tirol na nossa primeira viagem ‘mãe-filha’. Eu, ela, um teleférico a percorrer um manto branco e a certeza de que mãe comáminha só quando o Eusébio voltar aos relvados...

Gosto da minha mãe porque ela esconde as roupas-Claudisabel no fundo do armário para eu não ver, e porque cozinha como ninguém. Porque me leva a lanchar ao Majestic e porque fala alto ao telemóvel. Gosto da minha mãe porque chora a ouvir as músicas ‘do tempo dela’, a ler bons livros, e a ver quadros. Porque nos faz pãezinhos nos intervalos dos jogos e porque vive com o coração na boca. Porque se suja a comer dióspiros e porque prefere alheira a lagosta. Porque quebra com protocolos e porque me acompanha na batucada. Porque é pouco dada a fretes e porque ralha sempre que lhe peço para me fazer a bainha das calças. Gosto da minha mãe porque com ela veio o meu pai e a Joana e porque me chama ‘meu pisquinho’. Porque me roubou os ténis que a levam ao domingo a comer o seu Panike de chocolate (paroooooola!). Gosto da minha mãe porque a palavra preferida dela é 'oxalá' e porque é uma eterna pasmada de existir! E uma pessoa assim só pode ser amada e adorada todos os dias!

A minha mãe é marcada pelo Maio de 68 e pelo Abril de 74, e eu?, eu sou marcada por ela e pelo Euro’2004… uma versão-genérico, com metade da piada e um terço do interesse, mas sou marcada por ela…


Obrigada Mãe, por me fazeres ver

para além do sino da nossa aldeia!


*A minha mãe faz anos hoje, e eu celebro o que ela quer deixar de celebrar!

6 comentários:

Anónimo disse...

CABRITA, CABRITA, CABRITA!!! Fizeste-me chorar mas deste-me a melhor prenda do mundo... Obrigada.

Águia Bitória disse...

Pronto, pronto, agora volta para o fogão, que eu chego 5ªfeira e era do meu grande agrado ter uma travessa de aletria só para mim, se vier com dedicatóra tanto melhor... :) Love you, Girl!

Anónimo disse...

SUA CHANTAGISTA! EU LOGO VI QUE AQUELE TEXTO TRAZIA ÁGUA NO BICO! COM QUE ENTÃO UMA TRAVESSA DE ALETRIA, NÃO?

Anónimo disse...

lindo parola..lindo tal como tu! :)

p.s- sou eu! a passárá!

Anónimo disse...

Parabens atrasados mamã adotiva!Também gosto muitooo de ti minha Nandinha:)e do mimo que me das!Muito obrigada:)beijo enorme pa ti e pa famelga de baixo,e uma gostosão pa minha Paixão

Águia Bitória disse...

Olha, olha, que trio se juntou aqui! A nata da nata! :D

Pássarrrrrá, é favor carregar-me nesses 'erres'! ;)

Carinita, nd como o "arroz da Fernanda e o pão quente com manteiga", não?eheh Temos de marcar aí uns mergulhos seguidos daquela francesinhaaaaaaa!! ;)